Não estava em um guaradanapo inutilizado, em um pedaço qualquer ou num amontoado de escritos. Estava registrado de forma permanente nas memórias e afeição:
"apenas me enobrece..... as metáforas que nunca foram em vão.
Minha metáfora A metáfora Aquela metáfora A sua metáfora..."
Poemas franceses, melodias inglesas, vozes nacionais parecem à mesma coisa. A letra passa em vão. Falta uma descontinuidade, uma ruptura,uma disparidade, uma falta de sintonia. Tudo muito previsível, muito certo, muito ensaiado. Será uma coincidência eu sentir essa monotonia logo agora?
Será que foi a conversa de ontem A retrospectiva de anteontem O figurado tapa na cara Os trechos inacabados do Godard As linhas de Thompson O instrumental de Amélie Poulain O som de Olhos nos olhos Ou os passos circundantes? Mas, eis que surge A metamorfose de Kafka Com sua percepção do outro lado da janela E seu ‘Foda-se você’ pronto para ser dito.
Tic-tac.... e o que mais? A insônia e sua trupe: O carrossel corriqueiro, as comparações atemporais, a suspeita de um 'pequeno-grande coração' várias direções, a ausência da estrada de mão única e o cheiro, o seu cheiro.
ONE LITTLE BIRD voou Foi pra além-mar Um recanto longe da deriva Foi para o porto Longe das vistas de navegantes bem-aventurados. ONE LITTLE BIRD caiu uma vez, quando estava sobrevoando Os picos e montanhas Levantou, voou, cansou E mudou...
Hoje pensei sobre a mesa de bar. Nenhuma em especial. Acho até que imaginei uma que nunca avistei. O pensamento foi até uma mesa de plástico amarelo, palco para uma dose de sinceridade e devaneio. Pensei aqui: e se eu estivesse no palco, o que encenaria? Seria a verdade que não vejo Ou o prelúdio que criei e recriei?