quarta-feira, 5 de maio de 2010

trecho de um 1º capítulo sem título



Sei que estarei presente em muitas linhas, obras, calçadas e cenários.

O corpo foi, mas a presença, indispensavelmente, efêmera se aprofunda no passo trilhado no escuro, no correr desesperado pelas ruas da metrópole, no esvaziar de copo e desaguar do corpo.

Em cada 1/3 de dia, uma nova súplica.
Um novo pedido de direção que se findará daqui a seis dias.
Uma novena?
Um desespero?
Um reconhecimento da fraqueza?

Amanheci o dia assim. Com o sufoco da súplica exigindo passagem.
Exigia seu espaço desde a madrugada.
Eu, atriz, ignorei.

Na primeira parte do dia, cedi.
Da boca, palavras ocas e sem eco, corpo de uma súplica silenciosa.
Silêncio de medo.
Medo de despertar meu passado que dormia ao lado.
Em meio ao desespero suplicante... lágrimas, tardiamente, revigoradas.

Assim foi meu primeiro lapso de consciência naquela manhã.
Horas depois, meu passado se levantou.
Depois de um rápido bocejo e espreguiçar, veio em minha direção. Olhou bem para meus olhos vacilantes e perturbados pela luz da manhã, me abraçou e disse:

- Bom dia!

2 comentários:

Olavo disse...

Que narrativa perfeita.
Parabens
Bjs

penanegra disse...

É.
Não sei o que dizer disso.
Em qual parte de tempo está o peso, se é no passado ou no futuro que virá. Como parece patético tentarmos controlar as coisas, não?
Bjos!
Texto demaaaaais!