domingo, 18 de outubro de 2009

Lamento de Minolta


"Fujo da repetição de determinado refrão.

Daquele refrão que chega a pesar nas costas

E a trilhar os labirintos da memória.


Fujo mas parece que quanto mais rápido meu ‘eu’ corre

Mais onipresente o refrão se torna.


Quando vi, meus lapsos já eram acompanhados de uma nuance sonora.

Minhas paisagens multicoloridas e opacas vinham agora como um zunido no ouvido.


Não foi a minha melodia que me alcançou,

Foi um acorde solto -

O mesmo que acompanhava meu espírito


Com o zunido ... a tua perseguição

O nosso enquadramento,

as pegadas em par

a areia nos chinelos


Do acorde...

A fuga da composição

E o dedilhar

Junto ao meu deslize


Com o peso nas costas e os labirintos sinalizados

O par é único e intercala o atalho com o desvio.

Lá, vejo meus pés agora descalços.

Sentindo falta da areia dos seus".




Imagem: Site Olhares

terça-feira, 13 de outubro de 2009






"Fui ali


...

Acho que não volto mais".

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Vem me trazer calor, fervor, fervura
Me vestir do terno da ternura
Sexo também é bom negócio
O melhor da vida é isso e ócio
Isso e ócio".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

via 41/62



Eco no escuro e
o consolo que aflige.
Arte dolorida,
a reciprocidade no anseio.
Das palavras divididas,
a tua distância que carrega
a minha relativa impossibilidade.

Do nosso apelo,
o Eco
Do nosso desespero,
o Refúgio

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Trecho de "A paixão segundo GH" - Clarice Lispector. (Ex. primoroso de metáfora literária)




"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
(...)
Sei que precisarei tomar cuidado para não usar superficialmente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de uma verdade ".

domingo, 4 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Logo ali - D.M.X



pego aquelas sensações
jogo com esse sussurro

ainda sinto a pressão das mãos aflitas
e do encaixe no escuro

ainda se faz sufocado e escondido
aquele entorpecimento primitivo

penso na matriz que se acomoda
e dou intensidade para a filial que provoca

em meio ao proibido
dou continuidade ao nosso enrosco repetido.