sexta-feira, 19 de junho de 2009

Decisivamente a imperfeição do pretérito


O vento, dessa vez, traz uma sonoridade francesa.
Oras estimulam nostalgia e o desejo de conhecer o que a de vir,
Em outras, a sonoridade se perde nas letras e linhas que se fazem não só literárias,
Mas também, poéticas e biográficas para ele.

Agora, com a faixa 7 como companhia, se desprende do próprio corpo.
Logo, na faixa 8, a subjetividade também se desprende.
Se desprende, mas não tem ponto, parágrafo ou morada fixa.

Pode ser que persista.
Pode ser que se perca em uma margem ou passo qualquer.

Física e conceitualmente livre.
Possuidor da liberdade de ficar observando gestos e manias desconhecidas,
Livre para poder decidir quando colocar um fim neste deleite do cotidiano alheio.

Emocional e interiormente oscilante.
As emoções não possuem o livre arbítrio.
Estão enraizadas em uma lacuna do pretérito – decisivamente-imperfeito.

Eis...
Para onde vai
Com a sua condição
E impossibilidade de ser livre?



Imagem: Foto: http://essecalice.files.wordpress.com

quarta-feira, 3 de junho de 2009

(Interminado)

É o hoje
Aquele mesmo
Persegue o ontem
Leva lá
Traz aqui
Deixa tudo (nada) ali.

domingo, 31 de maio de 2009

Tudo vira metáfora


Não estava em um guaradanapo inutilizado, em um pedaço qualquer ou
num amontoado de escritos.
Estava registrado de forma permanente nas memórias e afeição:

"apenas me enobrece..... as metáforas que nunca foram em vão.

Minha metáfora
A metáfora
Aquela metáfora
A sua metáfora..."



terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre o cotidiano...


As combinações que não escrevi
O caminhar que decidi não trilhar
A foto que rasguei
A importância que não dei.

O livro que vendi
O som do violão que deixei vagar
O recado que piquei
O fim que não senti.

Diferenças que não fariam diferença
Noites mal-dormidas
Insônia bem-resolvida
Ilustrações de personagens mal-comidas.

Uma noite de sábado aqui
Tequila ali
Telefonemas atendidos por aí
Vozes no vácuo em mim.

O tempo presente que apresenta
O depois que não vem
O ontem que aparece
O hoje que não mais tenta.

Trechos que apaguei
Lapsos que extingui
-mas que ainda assim revivi
O pensamento que não selei.

E, no fim de tudo, ainda...
As combinações que não escrevi!



Imagem: Foto: belleza-pura.blogspot.com/2008_09_01_archive.html

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um cavalo de olhos azul-esverdeados


o que você vê é aquilo que vê:
os hospícios raramente
estão visíveis.

que continuemos caminhando por aí
e nos coçando e acendendo
cigarros

é mais miraculoso

do que os banhos das beldades
do que as rosas e as mariposas.

sentar-se em um pequeno quarto
e beber uma latinha de cerveja
e fechar um cigarro
ouvindo Brahms
em um radinho vermelho

é como ter voltado
de uma dúzia de batalhas
com vida

ouvir o som
da geladeira

enquanto as beldades banhadas apodrecem

e as laranjas e maçãs
rolam para longe.

Charles Bukowski - "O amor é um cão dos diabos - p.162".

quinta-feira, 14 de maio de 2009



Para a falta de criatividade e inspiração
recorre-se à
citação.....

Por agora... Leminski

Parada Cardíaca

Essa minha secura
Essa falta de sentimento
Não tem ninguém que segure
Vem de dentro

Vem da zona escura
Donde vem o que sinto
Sinto muito
Sentir é muito lento.


Paulo Leminski